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07 de novembro de 2026 · 5 min de leitura · Por BelaMargem

Como colocar a taxa da maquininha no preço do seu serviço

A taxa do cartão sai do seu lucro, e somar a porcentagem ao preço não cobre tudo. A conta certa, as taxas que as maquininhas costumam cobrar e como lidar com preço por forma de pagamento.

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A cliente passa o cartão, vai embora satisfeita — e a maquininha fica com uma fatia que nunca chega na sua conta. Taxa de cartão não é detalhe: é custo do atendimento, do mesmo jeito que o produto. E a conta pra colocá-la no preço tem uma pegadinha: somar a porcentagem em cima do preço não basta.

Quanto a maquininha tira de verdade

Pense num serviço de R$100 com R$65 de custo (produto, o seu tempo e a fatia do aluguel). Sobram R$35. Se a cliente paga no cartão e a taxa é de 3%, a maquininha fica com R$3 e você recebe R$97: sobram R$32, não R$35. A margem caiu de 35% pra 32% sem você mexer em nada.

No dinheiro e no Pix direto na sua chave isso não acontece. Por isso é fácil esquecer da taxa: ela só pega parte dos atendimentos — e no parcelado costuma ser bem maior.

A conta certa

Pra ficar com R$100 de verdade numa venda com taxa de 10% (um parcelado, por exemplo), o instinto é somar 10%: R$110. Só que a maquininha cobra 10% sobre o que passa no cartão, não sobre o que você queria receber: 10% de R$110 são R$11, e você fica com R$99. A conta certa é dividir:

preço = o que você quer receber ÷ (1 − taxa)

R$100 ÷ 0,90 = R$111,11. Com taxa de 3% a diferença é de centavos (R$100 ÷ 0,97 = R$103,09, e não R$103). A 15%, o jeito errado dá R$115 e você recebe R$97,75; o certo é R$117,65.

Qual taxa usar na conta

Ordem de grandeza (não é indicação de maquininha): em tabelas públicas de alguns fornecedores, consultadas em setembro de 2026 (taxas básicas pra Visa e Mastercard; Elo e Amex costumam ser mais altas), o débito ficava em torno de 1% a 2%, o crédito à vista em torno de 3% a 5% e o crédito em 12x em torno de 12% a 22%. Elas variam com o plano, o volume e o prazo pra receber, e mudam com frequência. O número que vale é o do seu contrato.

Se parte dos pagamentos é Pix ou dinheiro e parte é cartão, use a taxa média do seu movimento, ponderada pelo valor que as clientes pagam em cada forma. Um exemplo:

  • 60% do que as clientes pagam vem de Pix e dinheiro × 0% = 0
  • 25% vem do débito × 1,5% = 0,375%
  • 15% vem do crédito × 4% = 0,6%

A soma é 0,975%. Pra você receber R$100, o preço fica em R$100,98.

O que mais pesa é o crédito parcelado. No "12x sem juros", quem costuma arcar com a taxa mais alta do parcelamento é você (confira no seu contrato), e ela precisa estar no preço — ou você limita as parcelas que oferece. Se anunciar "sem juros", o total parcelado tem que ser igual ao preço à vista. Se o parcelado for mais caro, não use "sem juros": informe antes, de forma clara, o valor total e o das parcelas.

Dois jeitos de lidar com isso (e um que não recomendamos)

  1. Preço único, com a taxa já embutida. Você cobra igual em qualquer forma de pagamento. Costuma ser o jeito mais simples.
  2. Desconto no Pix ou no dinheiro. O preço de tabela já tem a taxa embutida, e quem paga sem passar pela maquininha ganha um desconto. A Lei 13.455/2017 autoriza preços diferentes conforme o prazo ou a forma de pagamento, e a Lei 10.962/2004 pede que os descontos fiquem informados em local e formato visíveis (tabela de preços, Instagram, link de agendamento). Mostre o preço e a condição de forma clara, antes de a cliente escolher. E o desconto não deve passar da taxa que você embutiu: senão você abre mão do lucro.

O que não recomendamos: cobrar mais só no cartão. A mesma lei autoriza preços diferentes, mas essa é a variação mais controversa, e entidades de defesa do consumidor, como o Idec, a consideram abusiva. O risco maior é o acréscimo que a cliente só descobre na hora de pagar: ele pode render reclamação no Procon e multa. Procons costumam considerar abusivo exigir um valor mínimo pra pagar com cartão, e cobrar a mais pelo parcelamento sem informar antes o valor total e o das parcelas também dá problema. Se mesmo assim decidir diferenciar, o preço de cada forma de pagamento precisa estar visível antes de a cliente escolher, e vale conferir o contrato da sua maquininha e a orientação do Procon da sua cidade.

Este texto é um guia de gestão de preço, com informação geral, e não substitui orientação jurídica: as regras podem mudar e as condições da sua maquininha dependem do contrato. Na dúvida, procure o Procon da sua cidade ou um profissional de confiança.

Como o BelaMargem ajuda

No seu Perfil, o campo Taxa da maquininha (%) guarda a sua taxa. Em cada atendimento pago no cartão, o BelaMargem tira essa taxa da margem daquele atendimento (Pix e dinheiro ficam sem essa dedução), e o semáforo e os relatórios mostram uma margem mais próxima da real, não a de tabela. No formulário do atendimento, a taxa aparece como um aviso à parte.

Ele tem um limite: a taxa é única, não separa débito, crédito e parcelado. Como já trata Pix e dinheiro como taxa zero, no campo do Perfil coloque a média só dos pagamentos no cartão: no exemplo acima, (0,375% + 0,6%) ÷ 40% = 2,44%. A média com Pix incluído (0,975%) serve só pra calcular o preço único. Num parcelado em muitas vezes, a margem real pode ser menor do que a mostrada. E o BelaMargem calcula a sua margem: ele não define os preços por forma de pagamento nem a informação que você precisa dar à cliente.

Nem a calculadora de preço mínimo (preenchida com meta de renda e horas) nem o cadastro de serviço incluem a taxa, então essa divisão é manual: pegue o preço mínimo (ou o sugerido, se quiser a margem de 35%) e divida por (1 − taxa). Se a calculadora deu R$80 e a sua taxa média é de 3%, o preço de partida é R$80 ÷ 0,97 = R$82,47.

O BelaMargem calcula a margem real de cada serviço seu — não só desse.

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