Quase ninguém adia o reajuste por não saber que o preço ficou desatualizado.
Adia por medo — medo de ouvir "não vou mais poder vir", medo de parecer
gananciosa, medo de perder pra colega que ainda cobra o preço de dois anos
atrás. Só que o preço parado não protege a cliente de nada; ele só empurra o
prejuízo pra você.
Por que segurar o preço custa mais caro que reajustar
O material sobe de preço todo ano. O aluguel sobe. A conta de luz sobe. Se o
que você cobra fica parado enquanto isso, a margem cai um pouco a cada mês —
devagar demais pra você notar olhando só o quanto entra no fim do dia, mas
rápido o suficiente pra, um ano depois, o mesmo serviço que dava um lucro
saudável estar quase no zero a zero. O faturamento pode até estar igual ou
maior; o que encolheu é o que sobra de verdade.
Os sinais de que já passou da hora
Não precisa esperar o mês fechar no vermelho pra perceber. Alguns sinais
aparecem antes:
- Faz mais de 12 meses que você não mexe no preço de um serviço, mesmo
o material tendo subido nesse período.
- A margem desse serviço caiu abaixo de 35% — a faixa que o BelaMargem
marca como "verde", saudável. Entre 10% e 34% já é sinal de atenção; abaixo
de 10%, o serviço quase não deixa nada.
- Você sente mais cansaço no fim do dia do que o valor que entrou justifica.
Isso normalmente não é impressão — é o seu tempo desvalorizado no cálculo.
Qualquer um desses já é motivo suficiente pra rodar a conta de novo, não só
"sentir" que talvez esteja na hora.
Como reajustar sem afugentar a cliente
O reajuste em si raramente é o que afasta a cliente — o jeito de comunicar, sim.
Alguns pontos que fazem diferença:
- Avise com antecedência, uma ou duas semanas antes do novo preço valer,
em vez de cobrar diferente sem aviso no dia do atendimento.
- Honre o preço combinado pra quem já tem horário marcado antes do
reajuste — o novo valor vale pra agendamentos novos.
- Fale do que ela ganha, não do seu custo. "Atualizei os preços" soa mais
confiante do que uma lista de justificativas sobre aluguel e produto — a
cliente não precisa da sua planilha, precisa saber que o atendimento
continua bom.
- Prefira ajustes menores e mais frequentes a um salto grande de uma vez.
10% todo ano incomoda muito menos do que 40% de repente depois de três anos
parado.
Quanto reajustar
O número certo não é "10% porque todo mundo faz assim" — é o que leva a
margem daquele serviço de volta pra faixa saudável. Se hoje ele está em 18% de
margem e o alvo é 35%, o reajuste precisa fechar essa diferença; se já está em
30%, um ajuste pequeno resolve. É a mesma conta de sempre — material, seu
tempo e custo fixo — rodada de novo com os números atualizados de hoje, não
com os de quando você definiu o preço.
Pra rodar essa conta com os seus números de hoje, sem montar planilha, dá pra
usar a calculadora do seu serviço:
manicure,
sobrancelha,
cílios,
corte e coloração,
massagem ou
qualquer serviço.